Com a decisão em mãos é que se anda a alguma parte.
Entre sim ou não, decide-se sempre.
Infelizmente com quase tudo sendo quase sempre 'talvez'.
Proibir as armas, não proibir as armas.
Se existisse a tecla 3, o voto nulo, o voto branco, o voto da paz.
Paz com armas.
Depende.
De nós é claro.
Um bêbado com um volante nas mãos também é perigoso.
Não vão proibir os carros.
Não vão proibir os roubos.
Não vão proibir a maioria dos crimes.
De que adianta votar se me fazem a pergunta errada.
Será que existe uma pergunta certa, me pergunto eu.
Neste mundo, onde todos somos criminosos do silêncio.
Da violência implícita.
Onde todos somos vítimas de nós mesmos e da nossa vida.
Deste mundo em que se espera ganhar, mas se aprende com a derrota.
Onde mais que nunca, quanto mais se vive, se vê que só junto a alguém é possível ser alguém. Ver bonito.
Sim, maldito mundo politizado em lata. Irei a urna votar.
Cada tecla apertada é o choro de, uma trás outra, cada lágrima escorrida.
Os crimes hediondos não são praticados com armas.
Os piores crimes e acidentes somos nós mesmos que praticamos.
Matando aos poucos outra pessoa.
Morrendo aos poucos.
Destinados a sermos nós mesmos e apenas isso.
Destinados a procurar o amor em alguém mesmo que alguém evite ou negue isso.
Ele vai procurar.
Um destino sem destino, logicamente.
Sem parada.
Sem pé.
Que bota os pés pelas mãos.
O crime de deixar alguém só.
O crime de se sentir só.
O crime inafiançável de querer saber todas as verdades.
Mais perdido aquele que totalmente dentro de si está.
Preso enfim.
Ninguém vai estar certo e isso será estranho pra qualquer ouvido.
Mesmo ao cortado, de Van Gogh.
Mesmo a quem nunca ouvirá.
Ou a quem algo sabe ver.
A quem ainda não está cego.
A quem ainda não foi parido de uma lata.
Default, pronta. Sem gosto.
Continuo a ser cego feliz.
Cada vez mais cego a quase tudo.
Com a certeza que não menos que a soma de tudo é sempre e apenas igual a um.
Mundo um,
mesmo que em Marte façamos vida,
ou mesmo que a troquemos Terra por lua.
Terráqueos indefesos, inofensivos a perfeição insatisfeita.
Torcendo para que o ladrão não nos atire a cabeça.
Torcendo para que seus pais não se divorciem.
Torcendo para que você não se divorcie: da sua mulher, do seu trabalho, de você.
Você estará totalmente perdido quando começar a nascer.
Afinal, é pra cá que você está vindo.
Isso é belo, por mais doloroso que soe ao seu cérebro.
O seu cérebro que nada saberá quando trocar a vida pela morte. Certa e voraz.
Uma vida inteiramente estreita o suficiente para te dar vontade de alargá-la até o fim.
VOu deixar a vida me levar uma ova.
Nos levaremos juntos.
Até o breve fim.
Que será depois de amanhã.
Todos tem uma razão pra atirar com uma arma. Um triste fim com memórias póstumas após uma vida ensaiada por cegueira.
Cegos ou lúcidos tatearemos a mesma dor de cá estar.
A dor é estranha porque não é ela que sentimos a maior parte do tempo.
Mas se fosse, não sentir dor seria muito doloroso.
Eu normalmente não estou falando do referendo. Estou falando da urna.
De dizer sim na hora do "aceita se casar comigo"
Um casamento bem sucedido é aquele que termina em divórcio.
É quando nos divorciamos de toda razão em algum momento é que voamos sem corpo como baleados sangrando até morrer.
Como este vôo que ninguém sequer entenderá por um segundo.
Isso porque ele sai da minha cabeça totalmente específica neste momento e nem eu mesmo poderei ter este pensamento de novo.
Pois uma vez parido, ele estará pra sempre lá fora, perdido no espaço, perto de Marte, estampado em uma página html estática.
A morte é como a vida. Que acontece em instantes. E acaba rápido, como uma votação.
Em segundos você vota em sim ou não.
E daí estará decidindo que as coisas talvez serão melhores.
Eu votarei não no dia 23, esse sim, é o meu modo de votar sim em um simples e migalho ponto da estreita passagem enlatada em que estamos metidos.
Estou consciente que voto pra que as coisas continuem mais ou menos iguais.
Meu voto é que 'não' seja mais sim.
Mas finalmente ter certeza que sim é não e vice-versa sempre.
(X).